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Sábado, 04 Novembro 2017 15:07

João Pessoa: paradisíaca e histórica

Quando se fala em Nordeste, as praias logo vêm à cabeça.

Quem decidir ir à Paraíba, no entanto, poderá mesclar as opções paradisíacas do Litoral Sul com programas ligados à cultura e à história tanto do centro da quente João Pessoa como de cidades metropolitanas.

A rodovia PB-008, que traça os 37 km entre a capital e Conde, é o portal para o começo do roteiro turístico.

Essa via será uma constante durante a viagem, pois é ela a responsável, também, por interligar as principais praias do interior.

O assunto aqui, porém, é outro. Começa na entrada de João Pessoa, onde visitantes podem deslumbrar-se com a vista da Ponta do Seixas.

 

No local, de costas para o Farol do Cabo Branco, ponto famoso por servir como orientação para navegantes, a indicação, além de curtir o ambiente pela manhã, é experimentar o sorvete de caipirinha, que há anos desponta como atração gastronômica.

Caseira, a sobremesa é composta por sorvete de limão - meticulosamente produzido para que a cachaça não inviabilize o congelamento - e cobertura de açúcar (onde vai mais cachaça, a gosto).

"Se quiser ficar bêbado, até dá", brinca a produtora da iguaria, Célia Maria Costa, personagem marcante para quem passa pela região.

Antiguidade

Devidamente embriagado, o turista pode circular pelo Centro Histórico de João Pessoa, enquanto espera a atração principal do roteiro, o "pôr-do-sol do Jacaré", lá em Cabedelo, cidade grudadinha na capital do estado.

Ali, durante o dia claro, as atrações são as igrejas e os prédios antigos, construídos a partir de referências arquitetônicas europeias, principalmente holandesas, portuguesas e espanholas. Já à noite, um leque extenso de teatros e espaços culturais fazem pulsar a intelectualidade paraibana.

De quinta a domingo, uma opção é o Teatro Santa Roza, o mais importante da cidade, usado como depósito de armas na ditadura militar. Para os mais alternativos, as bandas de rock são as principais atrações, ali mesmo nos casarões neoclássicos de 1585.

A igreja São Frei Pedro Gonçalves, também neoclássica, aflora curiosidade nos fãs da história colonial. Foi construída por europeus em cima de outra congregação, que à época foi soterrada "para que a blasfêmia fosse pisada".

É que, conforme a história, a igreja que ali existia era liberal e cultuava espíritos indígenas e africanos, o que era abominado pelo cristianismo. Atualmente, quem visita o local, pode ver, além do segundo templo construído, escavações arqueológicas do primeiro.

Na igreja de Santo Antônio, a influência muda: o barroco passa a ser inspiração. Na entrada, um imponente cruzeiro em pedra caucária (o maior desse material na América Latina) chama a atenção.

Dentro do tempo, a composição rica em ouro e jacarandá, construída por 200 anos, entre 1570 e 1770, agiganta-se. 

O sol cai

Passado o almoço e muitas caminhadas depois, é hora de esquecer o sabor da tradicional carne do sol e seguir até Cabedelo.

O ideal é recorrer às empresas que transportam e guiam cada passageiro por, em média, R$ 75 (pelo percurso histórico e cultural).

O objetivo lá na cidadezinha é encontrar o ilustre Jurandy do Sax, que há 16 anos consecutivos apresenta O Bolero, de Maurice Ravel. O acompanhamento, fora instrumentos pré-gravados, fica a cargo da queda do sol, que na Paraíba acontece mais cedo. Programa-se para chegar às 16h.

Aqui, você gastará R$ 35 para percorrer, em barcos, os 600 metros da chamada 'Praia do Jacaré' (de verdade, é um rio - e sem jacarés). Guias apresentarão a história do show, que, no dia da nossa visita, chegou à apresentação nº 5.673 (motivo para a inclusão no Livro dos Recordes).

Tudo começou com Dona Eleonora, moradora da região apaixonada pelos boleros. Por ela ouvir o ritmo diariamente, o saxofonista Jurandy Félix decidiu, um dia, fazer a apresentação ao vivo, o que atraiu curiosos. A partir daí, nunca mais parou. Em um pequeno barco, sob os holofotes naturais criados pelo sol, ele emociona o público até o anoitecer.

Quando isso ocorrer, voltando à terra firme, vai uma dica: não deixe de ir na feirinha de artesanato logo ali ao lado. Afinal, ninguém é de ferro.

 

Fonte atarde.uol

 

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