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Quarta, 11 Outubro 2017 08:33

Músicas brasileiras para a Semana das Crianças

Mais do que uma simples questão de idade, o lugar da infância é o da ilusão, da fantasia, da “curiosidade”, como bem repetia Rubem Alves.

É na infância que as portas para a brincadeira estão abertas, que os sonhos florescem e a diversão impera.

Na música brasileira não é diferente. O tema foi tratado por Chico Buarque, Sidney Miller, Fernando Brant, Milton Nascimento, Cazuza, Aldir Blanc e muitos outros, com todo o frescor da primavera, a estação onde a infância floresce e onde “deve rezar todo adulto que se preze”, como nos alerta Fernando, autor de versos cantados por Milton, “Bola de meia, bola de gude…”.

 

“A infância

É a camada

Fértil da vida” Nicolas Behr

 

O Circo (MPB, 1967) – Sidney Miller

Nara Leão, em 1967, deu voz a uma das mais singelas músicas já feitas para o universo infantil. “O Circo”, de Sidney Miller, capta em forma e conteúdo o ambiente propício para que a fantasia, o lúdico e a magia conquistem o coração de adultos e crianças. As imagens do palhaço, do domador e da bailarina servem como a tríade que representa a vida em seu romance, sua comédia e o próprio drama. Sidney embala os versos com a sutil delicadeza de quem compreende a vida em suas nuances simples e contraditórias. Ao final, a nostalgia acende no homem o instinto da infância, o sentido. “Foi-se embora e eu ainda era criança…”, sugere o autor, como quem joga confetes para o vento. A música foi lançada por Sidney, em registro de voz igualmente delicado.

 

Sou uma criança, não entendo nada (Jovem Guarda, 1974) – Erasmo Carlos e Roberto Carlos

A dupla Erasmo Carlos e Roberto Carlos compôs, em 1974, mais um dentre os inúmeros sucessos da “Jovem Guarda”. “Sou uma criança, não entendo nada”, lançada por Erasmo e depois regravada em parceria com Arnaldo Antunes, e mais tarde por Lulu Santos, se vale de um perspicaz jogo de palavras e situações para pôr em cheque a condição do adulto e da criança. Na composição, Erasmo e Roberto fazem ver a ânsia da criança em se tornar adulto, e depois, a nostalgia desse mesmo adulto em relação à sua infância, quando “por dentro com a alma atarantada, sou uma criança, não entendo nada”, reafirmam nos versos finais da canção, também gravada pela banda Cachorro Grande e por Oswaldo Montenegro, dentre outros.

  

 

Doze anos (Samba, 1979) – Chico Buarque

Chico Buarque captura o momento de transição da infância para a adolescência, quando a ingenuidade dá, paulatinamente, espaço para a malícia, ainda insipiente, na música “Doze anos”, composta para o musical “A Ópera do Malandro”, de 1979, e gravada em parceria com o nome maior do samba de breque brasileiro, Moreira da Silva. Mais uma vez o enfoque é o da nostalgia, como bem deflagram os primeiros versos: “Ai que saudades que eu tenho dos meus doze anos, que saudade ingrata…”. Daí por diante, percorremos, com o protagonista, os caminhos dessa criança que fora, “fazendo grandes planos, chutando lata, trocando figurinha (…), jogando muito botão (…) olhando fechadura, vendo mulher nua…”, entre peripécias mais.

 

 

 

Bola de meia, bola de gude (Clube da Esquina, 1988) – Fernando Brant e Milton Nascimento 

Dois dos principais nomes do “Clube da Esquina”, e parceiros de toda vida, Fernando Brant e Milton Nascimento compuseram juntos, em 1988, “Bola de meia, bola de gude”. Fernando, o autor dos versos, como sempre, Milton o responsável por dar voz e pela melodia. A música entrou para a trilha da novela “Coração de Estudante”, também música de Milton Nascimento, em parceria com Wagner Tiso; no ano de 2002 e na gravação do grupo 14 Bis, e referendou, ainda mais, o sucesso já consagrado. Os versos chamam a atenção para que jamais se esqueça o valor da infância, a importância de manter a chama da criança acesa no coração, as esperanças e os sonhos. “Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração, toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão…”.

 

 

 

Fonte esquinamusical

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