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Segunda, 30 Outubro 2017 13:18

Felipe Barão, profissional consciente na área musical

Felipe Barão - Cultura Alternativa. Felipe Barão - Cultura Alternativa.

Uma entrevista coesa, concisa e informativa

É Literalmente insuportável entrevistar alguns artistas. Muitos não sabem o que dizer, estão desconectados do mundo ou respondem respostas padrão em todas as entrevistas. Mas, Felipe Barão não. Não o conheço, mas, passei a respeitá-lo. Fiz esta entrevista via Whatsapp, muitos músicos copiam e colam currículos na primeira pergunta pensando que nós jornalistas e os leitores não sentimos que é cópia e colagem. Claro que sentimos. Fiquei encantado com a entrevista de Felipe Barão. Respostas coesas, informativas, sem adjetivação. Espero que vença neste país que desvaloriza a arte e cultura sob todos os aspectos, ou então, que siga Jobim e veja que a única saída para o músico brasileiro é o aeroporto.

 

Curta Felipe Barão.

 

Felipe Barão, é um prazer te entrevistar via Whatsapp. O Cultura Alternativa ( www.culturaalternativa.com.br ) está honrado com esta exclusiva. Primeiro, não copie e cole currículos, fale com tranquilidade e naturalidade, quem é Felipe Barão. Sua formação de músico? Formação Profissional? Onde nasceu? Lembre sempre que respostas e entrevistas extensas não são lidas na internet.

 

Eu comecei relativamente tarde, aos 16 anos. Porém, meus pais, mesmo não tendo nenhum envolvimento artístico, eram consumidores de música em um grau máximo. Costumo dizer que fui forjado pelas rádios AM e FM do Rio de Janeiro, minha terra natal, e dos LPs dos meus pais. Então, ouço desde cedo desde Beatles a Earth, Wind & Fire, de Roberto Carlos a Legião Urbana, de Roupa Nova a Almir Guineto. Nada a ver, né? Porém foi fundamental em um ponto da minha característica profissional: o ecletismo. Eu toco de tudo, pois fui acostumado a ouvir de tudo. Minha primeira escola foi os hábitos musicais de meus pais. Aos 16 anos me interessei pelo violão e, um ano depois, guitarra. Aos 19 formei minha primeira banda profissional e comecei a tocar na noite. Apenas em 2000 que comecei estudar a música regular e fiz a Escola de Música Villa-Lobos no Rio, o CIGAM, que é um curso de especialização em harmonia e percepção, voltado para a música popular e uma pós em Regência Coral, no Conservatório Brasileiro de Música. Estava cursando a Faculdade de Música da UFRJ, mas interrompi ao vir morar em Brasília, em 2014. Faço esse ano 19 anos de carreira e, ano que vem, já preparo uma comemoração para os 20.

 

Excelente. Agora vamos falar de "style". O André Trindade e Andressa Catty fizeram um evento em Brasília chamado curly hair. Eu tenho o cabelo curto, pareço um engenheiro ou advogado, mas, faço um som muitas vezes contemporâneo. Agora falo do teu cabelo, é estilo? Achas que o músico deve ter um estilo para se apresentar? Muitos consideram isto importante. Por exemplo no futebol, temos vários jogadores com um estilo, uma forma própria de se apresentar. Fale um pouco sobre esta questão.

 

Olha, Anand, a última coisa que eu quero com a minha música é levantar alguma bandeira sobre algo. (risos) Eu respeito totalmente quem utiliza um estilo para representar seu trabalho artístico, seja ele qual for, mas não é o meu caso definitivamente. Se eu te mostrar fotos minhas de primeira infância, você verá o cabelo black power lá (risos). Tudo bem que era início dos anos 80 e minha mãe que optava por tal. Na minha adolescência eu tive cabeça raspada, pois era jogador de basquete e a febre era Michael Jordan, Magic Johnson e eles usavam cabeça raspada. Mais tarde, voltei com o cabelo apenas e exclusivamente por me sentir bem. Eu olho para o espelho e me reconheço. Alias, nessa questão de criar um estilo para marcar, eu me sinto totalmente incompetente (risos). A única coisa que pretendo é colocar a música SEMPRE em primeiro plano em todos os trabalhos que faço. Se o meu cabelo se tornou um estilo, não foi intencional. Aproveito sim o que esse estilo me proporciona, mas sempre em segundo plano. Uso apenas por que gosto, não pretendo mudar. Reconheço a marca, acho bom ter esse diferencial, mas não foi intencional. O bom em particular desse cabelo em específico, é que existem referências em todos os tipos de som: tem na Black Music, no Rock n' Roll, na MPB. Se bem que o que eu acho que mais chame a atenção para ele é ele ser branco! (risos) O que garanto que é totalmente natural. Nunca pus uma gota de tinta. Até porque ele começou a ficar branco, eu tinha uns 20 anos. Genética.

 

Falemos pois de discos, festivais, menções honrosas, enfim, já recebeu premiações, ganhou menções honrosas, enfim, fez trilhas para cinema, shows qual o mais importante, discos lançou discos solo, participou de discos?

 

Na juventude, participei de apenas 3 festivais, ganhando 2 e ficando em segundo lugar em um. Festival da Rádio Catedral, Festival da Companhia de Maria (estes dois de cunho católico) e um no antigo Mistura Fina, emblemática casa de jazz do Rio de Janeiro no fim dos anos 90. Sobre trilhas, tive várias compostas para a Rádio Senado Federal,  participei nos arranjos das trilhas do média metragem "O Prólogo", produzido em Brasília... Perdi as contas das peças de teatro que fiz a trilha, ora compondo, ora arranjando. Talvez umas 20... No estúdio, acho que trabalhei mais arranjando e produzindo do que tocando (risos). Participei de alguns Cds, como o dos artistas Igor Sanro, Tuka Villa-Lobos, o T.R.O.P.A  sendo esses últimos trabalhos, gravando DVD ao vivo. Premiações, tenho participando da peça JIM, com o ator Eriberto Leão, onde a música da peça foi indicada para os prêmios Shell, Cesgranrio e APTR, levando o prêmio na última. Tenho um EP gravado de nome "Excertos Textuais e Temporais" que está disponível em todas as plataformas virtuais como Spotify, Deezer, Apple Music e outras. Shows memoráveis, tenho pra mim os da turnê da peça JIM, onde rodamos o Brasil, o meu show de comemoração de 18 anos de carreira no Clube do Choro, chamado "Verdeazul" e, com certeza, a turnê que fiz em Lisboa, levando um pouco do meu trabalho pela primeira vez fora do Brasil.

 

O que acha do Sundicato e Ordem do Músico? E qual sua posição sobre a ECAD?

 

Não condeno, nem apoio. Posso apenas dizer pela minha experiência: tenho a carteira da OMB, que tirei há muito tempo após uma prova, e confesso que pra mim é motivo de orgulho e só. Nunca precisei acionar, nunca apareceram para nada. Não participo do sindicato, e também nunca me fez falta. Não sou daqueles que sai para condenar ou militar. Enquanto não me obrigarem a nada para exercer a minha profissão, deixo cada um com seu julgamento. Talvez isso ocorra por não termos uma OMB e Sindicatos fortes na prática e, na maioria das vezes, apareçam apenas para cobrar. Mas como disse anteriormente, não sei como funciona o Sindicato e a OMB nunca me agregou nada. Deixo esse debate para quando pudermos ter algum plano de ação efetivo. Para filosofar apenas, prefiro focar na minha música.

E sobre a ECAD vou seguir a linha da resposta anterior, dizendo apenas da minha experiência. Nunca tive problemas com o ECAD. Quando faço shows com músicas dos outros, pago. Vou na minha Associação e pego o que foi recolhido. Na verdade, esses trâmites de direitos autorais é algo meio nebuloso pra mim, pois dependendo do caso, penso que não deveria ser tão rigoroso, mas por outras vezes acho que passam batido na arredadação, ainda mais quando se trata da comparação de artistas do mainstream e de artistas independentes. Na verdade acho que tudo poderia ser melhor. Defender não significa apoiar em tudo e criticar não significa que queira que acabe. Tem que haver um meio termo, coisa bem difícil nos dias de hoje.

 

E para o futuro, CDs, DVDs, o que?

 

Estou com vários projetos (sempre!) na cabeça, mas a priori para ano que vem, para comemorar os 20 anos de carreira, estou maturando a idéia de fazer um CD de violão fingeredstyle com tema dos Beatles, pois é o que mais faz sucesso nas apresentações de meus concertos. Quero compilar alguns arranjos que fiz e gravar. Está também no forno um trabalho autoral que estou separando entre 10 e 12 canções compostas nos últimos anos, esperando apenas um tempo livre para terminar os arranjos. Esse trabalho terá participações especiais de grandes amigos músicos de todo o Brasil que fiz nesses anos todos. Também, seguir estrada com o show "Tropicália aos Demais", onde estou assinando os arranjos e a direção musical, além de integrar a trupe com cantores e músicos fantásticos aqui do DF. Fora, é claro, continuar me apresentando com todos os projetos que tenho como a "Roda de SambaRock", o concerto "Uno - Violão Solo" e o "Rita in Jazz", onde eu "entorto" um pouco as canções emblemáticas de Rita Lee em arranjos jazzy, e conto com toda a competência interpretativa da voz de Tuka Villa-Lobos. Tudo isso se 2018 for um longo ano para dar tempo de tudo! (risos)

 

Felipe e parece que há um show no dia 05 de novembro de 2017 homenageando a tropicália. Fale sobre este espetáculo.

 

Sim! Será uma homenagem aos 50 anos do movimento Tropicalista (ou apenas Tropicália) que culminou em 1968 com o álbum "Tropicália ou Panis et Circenses", porém foi no ano anterior, em 1967, que Caetano lança álbum homônimo onde a estética tropicalista já é apresentada em canções como "Alegria, Alegria" e "Tropicália". Pegando o gancho, homenagearemos todos os grandes nomes que contribuiram para esse movimento curto, porém vanguardista da MPB. O concerto, que é uma produção totalmente brasiliense produzido pela Villa-Lobos Produções e pelo Música na Árvore, conta com participações de nomes bem presentes da cena brasiliense: Andressah Catty, Clara Telles, Geraldo Carvalho, Mário Noya e Tuka Villa-Lobos como interpretes e Alessandra Lalucce (flauta), Carlos Pial (bateria e percussão), Lucas Pimentel (baixo), Marcinho Silva (teclados) e eu no violão, guitarra e direção musical. Convido a todos a comparecerem neste dia 05 de novembro, na sala Plínio Marcos, na Funarte! Mais informações, visitem a página no Facebook! https://www.facebook.com/tropicalia50anos/ 

 

Alguma coisa ficou pendente que você gostaria de falar? Aproveito e agradeço pela entrevista exclusiva pedindo que compartilhe o link da publicação nos grupos do Facebook e WhatsApp, bem como, na sua timeline do Face, no Instagram, Twitter e etc. E peça para todos entrarem diariamente no Cultura ok?

 

Gostaria de lhe agradecer e a todos que acessam ao Cultura Alternativa! E para quem quiser ficar por dentro da agenda dos concertos e mais novidades é só entrar na minha página do Facebook ( www.fb.com/felipebaraocom ). Curtam lá para receber as notificações e nos encontramos por aí! Mais uma vez, muito obrigado, Anand! Forte abraço!

 

Ouça um pouco de Felipe Barão

 

Anand Rao

Editor do Cultura Alternativa

www.culturaalternativa.com.br 

 

2 comentários

  • Link do comentário Adriano Gaúcho Wandscher Quinta, 02 Novembro 2017 00:06 postado por Adriano Gaúcho Wandscher

    O que falar desse grande ser?!?!?
    Orgulho de ser amigo e fã de alguém tão competente...
    Sucesso hoje e sempre...

  • Link do comentário Andrea Carvalho Quarta, 01 Novembro 2017 12:33 postado por Andrea Carvalho

    Amei a entrevista muito objetivo e talentoso

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