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Segunda, 06 Março 2017 12:04

O Cover e a arte de viver a pulsação do outro – Por Anand Rao

Sou um compositor que musica poetas bem como, interprete que interpreta canções dos outros do seu jeito, sob a sua ótica, com sua pulsação e dinâmica.

Hoje resolvi refletir um pouco sobre o cover, aquele que tem que mostrar na sua apresentação o arranjo e a criação de forma original, muitas mudando o corte de cabelo e roupas, enfim, vamos avaliar criteriosamente esta questão.

A definição constante no Wikipedia é: muitos músicos tocam covers como forma de tributo a quem a gravou pela primeira vez. Outros formam as chamadas bandas covers, que além de tocarem as músicas, usam roupas e se apresentam da mesma forma que o original.

É muito difícil ser um cover ou uma banda cover. Você tem que ouvir a música várias vezes e fazer igualzinho. Se for um grupo tem até que se vestir como o grupo original. Para mim, seria uma morte ser cover. Mas, isso é um dom que Deus dá para alguns. Por exemplo, Elvis Presley têm ao longo da história inúmeros covers. Michael Jackson também. Enfim... Estes músicos têm que descobrir a alma, a pulsação, a sensibilidade do criador. Muitas vezes eles se tornam “criaturas” e outras vezes absolutamente idênticos.

O criador tem a liberdade de sentir ao compor. O criador, o original, de fazer valer o ato da criação, a sua pulsação, a sua sequência harmônica, tudo o que mais lhe agrada, a roupa, o perfume, o penteado, enfim, literalmente tudo. O cover, em contra partida é uma cópia fidedigna quando é bom e cheia de entrelinhas quando é ruim. Penso no coração do cover. Ele obviamente tem que ter o coração do criador, do original, ele é apenas uma cópia e tem que fazer os trejeitos e tudo do original.

Economicamente falando existem shows no mercado sobre diversos estilos musicais que têm fama com covers. Os covers se proliferam mas, a maioria são ruins. Um ou outros se destaca. Agora e a fama, e o registro do seu nome perante o público. Dificilmente um cover tem fama. Já vi bandas covers com fama mas, um músico solitário com fama nunca vi. Bandas covers têm fama porque quem frequenta os shows desta banda, não estão indo para assisti-la, assistir os sentimentos de seus músicos e sim, para ver o quanto são parecidos, cópias fiéis dos originais. Mas, uma coisa é certa, para que possamos viver temos que ganhar dinheiro e creio que bandas covers quando cópias fiéis ganham dinheiro.

Já vi interpretes de famosos músicos e compositores. Esses não são covers. Esses adaptam sua voz aos famosos, ou seus arranjos, mas, têm dinâmica própria. Esses podem colocar na sua interpretação a sua forma de ver a canção, podem criar, podem mudar os arranjos, enfim, há vários níveis de interpretes. Por exemplo, o compositor e músico Caetano Veloso ao interpretar Peninha faz com que uma música menos valorizada se torne rica e singular. Enfim.... Os interpretes são magos mas, o cover. Esse não escreverá seu nome em lugar algum. Quando morrer existiram outros, sua existência será norteada de dinheiro quando for considerado cópia fiel mas, não de criação. Não eternizará seu nome em lugar nenhum, apenas será uma cópia. Imagine como deve ser doloroso para um músico que estudou violão e voz se tornar um cover. Enfim... Deve ser absolutamente insuportável, principalmente se ele for criador por dentro.

Fico por aqui hoje e meu próximo texto será sobre a música sertaneja, que alguns chamam de sertanojo e sobre a música brega.

Anand Rao

Jornalista, Músico e Poeta

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Artigo publicado em 

5 de março de 2013 · 

 

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